"Nunca é alto o preço a pagar pelo privilegio de pertencer a si mesmo." Nietzsche

À eternas crianças..


Quem acompanha o blog sabe que não costumo contar sobre meus dias, não acho que as pessoas estejam interessadas em saber por onde andei ou para onde vou... Nem eu estou interessada nisto. Também não quero me vangloriar de nada aqui...
Acontece que na antevéspera do dia das crianças, eu faltei o cursinho com minhas amigas para andar nos parques... E enquanto decidíamos, com mediocridade, em que brinquedo gastaríamos nosso dinheiro, uma senhora - que mal conseguia andar, apoiando-se em uma muleta, aparentemente com problemas mentais e cega de um olho – chamou uma de nós e pediu, humildemente, que fosse comprado um ingresso para ela. Ainda observei se havia alguma criança por perto ou alguém responsável por ela, mas estava sozinha e tudo que ela almejava era sentar-se em uma daquelas carruagens atrás dos cavalinhos e ficar girando ali por alguns segundos...Esta minha amiga contou o seu dinheiro que era insuficiente e, além disso, o parque não estava funcionando no momento. Ao saber disso, seu semblante ficou triste, como o de uma criança que tem seu pedido negado... E quase chorou ali mesmo, enquanto todas nós sentíamos pena – logo eu que odeio sentir pena de alguém. Fui até ao dono do parque que gentilmente a colocou na carruagem e nem cobrou por isso... E ela começou a girar naquele brinquedo, com um sorriso que ia de orelha a orelha. Realizada com aquele momento, como se nunca tivesse vivido algo assim... E nós, que até ganhamos um “tchauzinho” enquanto esperávamos que ela descesse do parque, ficamos estranhamente felizes por termos feito uma “criança” feliz.
“Obrigada, meninas... Vocês me fizeram recordar a infância e eu estou muito feliz...” Foram as suas ultimas palavras, que vieram acompanhadas de um sorriso cheio gratidão.

É que facilmente nos chateamos com a vida e reclamamos sem motivos. Quantas vezes não fizemos outra pessoa pagar pelos nossos problemas? Quantas vezes deixamos de dá um simples sorriso a alguém? Ou quantos de nós já matamos as crianças que existiam em nossos corações? Mas, podem ter certeza que esta pequena atitude completou o meu dia.
Foi o que me fez perceber, entre as correrias diárias, que um pequeno favor pode mudar o dia de alguém. Um pequeno gesto para você pode significar a felicidade para outro. Pense nisso!


“As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, ficar toda hora explicando...” Le Petit Prince.

7 comentários:

Flávio Moreira disse...

A cada dia que se passa mais eu me convenço do óbvio: as melhores coisas do mundo custam pouco ou quase nada. Belo txt.

Marllyson Moura disse...

deveríamos sempre pensar desse modo, pois não podemos perder a simplicidade que uma criança tem no coração!

Sandro Ataliba disse...

Sempre penso na vida dessa forma. Nada é construído em grandes blocos, mas em pequenas peças. Pequenos detalhes definem nosso caráter, nossa identidade, nossa felicidade.
E quando somos os facilitadores do nascimento de um desses detalhes, sentimos em nós sua multiplicação.
Belo texto. :)

Luna Sanchez disse...

Fiquei emocionada, achei lindo o teu relato.

Um beijo, Indy.

Gabriela Freitas disse...

Se eu lendo quase chorei imagino você, vocês. Linda atitude.

Leontyna Santos disse...

Um simples gesto, um sorriso sincero. Felicidade!

Beijos*:

Thaís Alves disse...

Fiquei com os olhos cheio d´água... não tenho nada a acrescentar ao teu post, está lindo, maduro e muito melhor do que cheio de razão, ele está cheio de emoção, a emoção boa.

Beijos