"Nunca é alto o preço a pagar pelo privilegio de pertencer a si mesmo." Nietzsche

Psicanálise profunda

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Que vontade é essa de escrever sobre o que não se escreve, minha menina? E essa vontade de chorar? O que aconteceu? Não era você quem só queria um amor, uma paixão... Você parece às vezes se esquecer. O que tem de errado com o seu sol para não abrir as persianas ao amanhecer? Ou com a sua noite para ser tão mal dormida? Porque carrega um peso tão grande nas costas? Eu sei que habita medo no seu coraçãozinho... Também sei os motivos. Sou eu novamente: aquela que lhe conhece tão bem quanto você mesma. E se a faço tanta pergunta é para que você mesmo responda as suas dúvidas, como em uma psicanálise. Eu sei, não sou tão boa psicóloga, nem a melhor das conselheiras, muito menos, consigo ser imparcial. Mas, eu precisava intervir de alguma forma. Você e eu temos que estar em uma sintonia perfeita para que nossos passos possam prosseguir como deve ser, mas tenho lhe notado distante.
Veja bem, minha pequena, todo gigante sente-se meio solitário. Contudo, como poderia ser diferente se não há tantos gigantes pelo mundo? Veja sua força. Não gosto de mandar ninguém olhar para trás, mas veja você, observe seus passos até aqui, acha que qualquer um chegaria com esse seu sorriso? Eu sei que não é tão fácil como parece e sei que quase ninguém lhe compreenderia. São muitos medos não é? Você não gosta nem pensar, eu sei... Vai lá mesmo assim, deita a sua cabeça no travesseiro, por enquanto. Uma hora você tem o colo que você merece. Eu sei que fechasse as portas do seu coração por muito tempo, pelo tempo que conseguisse. Eu sei que não foi culpa sua deixar entrar tantos sorrisos de uma vez só e tantas vozes e tantas histórias diferentes e tantos gestos e jeitos peculiares e apaixonantes... Eu sei que você hesitou no início por já está acostumada em ter apenas a minha companhia, porém, a porta tinha que se abrir...
Não fique assim, princesa. Eu conheço esse semblante de vazio com uma pitada de decepção. Conheço esse seu olhar preocupado e essa testa já quente de tanta turbulência dentro da sua cabecinha. Eu sei que você não consegue ser mais do que está sendo. Eu sei que você quer fazer feliz muito mais do que ser e não pode ser sempre assim. Você não tem que ser perfeita. Tenha calma. Você pode tentar de novo se não conseguir dessa vez. Eu sei que o tempo tem sido seu inimigo mais intimo, mas ainda pode ser seu tempo. Acalma seu coração, moça bonita. Você tem a mim e sempre vai ter. Nessas horas mais vazias em que os sorrisos e os olhares forem embora, eu vou está aqui. Quando seus ouvidos só puderem ouvir o silêncio ensurdecedor desse seu apartamento, eu sentarei ao seu lado e segurarei forte as suas mãos. Eu farei toda qualquer coisa que lhe faça por para fora tudo que lhe aperte o peito. Não descansarei até lhe ver externando todo peso da alma – como agora – e, finalmente, lhe sentir mais leve e lhe ver vestindo o seu melhor sorriso. Você tem a mim, não esqueça. Ouviremos músicas, conversaremos bobagens, iremos sempre rir juntas e chorar juntas quando necessário. Eu jamais vou lhe julgar, eu conheço sua luta de perto. Você é o seu próprio pódio, pequena, e eu estarei sempre aqui para não lhe deixar esquecer...

Em construção

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E como faz para voltar no tempo? E será que se eu soubesse exatamente o que sei agora, erraria tudo exatamente igual? Ah, essa minha mania de menina livre em um mundo de passarinhos presos em gaiolas... Ah, essa minha mania de achar que só se vive uma vez, mesmo depois de já ter morrido tantas! E quando escuto alguém, por ignorância, dizer que queria minha vida, eu logo penso que essa pessoa não sabe o que deseja: quanto mais alto você conseguir subir, mais alto pode ser a queda. Eu nunca aprendi. Ou vai ver eu sinto prazer na dor. E por mais confuso que seja alguns momentos, eu sei que eu me faço como quem faz um edifício inteiro, tijolo por tijolo, dia após dia, já com acabamento pronto em algumas partes, já grande demais para alguns e pequena demais para outros... Mas ainda em construção. Então, se por acaso, um tijolo desses despencar por aí, que saibam perdoar meus erros, pois sou amadora em tudo que faço - do latim, muito mais amor que sabedoria. E se, também por acaso, alguma coisa começar a dar muito errado, que possam me ajudar a reconstruir os pedaços de mim, rezando para que em nenhum momento eu permita que se perca algo de mim que sustente o edifício inteiro. Começar do zero dói. A única vantagem é que se aprende a fazê-lo cada vez mais rápido e cada vez melhor. E me disseram que tudo se acertaria rapidamente... Apesar de, às vezes, as vestes estarem amassadas, sigo me vestindo de esperanças, esperando esse evento acontecer.


Surfando karmas e DNA - Engenheiros do Hawaí

Quem cuida de quem?

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Olhe para essa moça, olhe para essa moça e tente ajudar. Ajude-a porque ela ensina o caminho certo para todo mundo, mas não sabe seguir o dela. Ela se perdeu outra vez e não sabe como sair desse labirinto em que se meteu. Seus sentimentos sempre complexos e intensos as vezes sufoca alguém ou a ela mesmo. As vezes ela acha que as coisas boas que faz pelo mundo é apenas para compensar os erros de seu coração doente e egoísta. Mas, às vezes, só as vezes, ela acha que pode acertar as batidas do seu coração com o de alguém, muito embora o seu tempo seja sempre outro. Muito embora todas as histórias sigam terminando em tragédias. Por mais que ela almeje escrever uma comedia romântica, leve e engraçada... A única coisa que escorrega pelos de seus dedos são cenas de uma autobiográfica fodida e dramática, farta de histórias sem final feliz.
Olhe para essa moça, olhe para essa moça e tente ajudar. Ajude-a porque suas forças estão se acabando e ela já não sabe mais por quanto tempo vai suportar permanecer em pé e sorrindo e fingindo que sabe muito bem o que está fazendo. Ela já se fez ponte sobre aguas turbulentas tantas vezes que não sabe mais o que sua estrutura ainda aguenta. Ela já enfiou tanta coisa dentro daquela mala esquecida em um canto, em um quarto qualquer que ela tem receio de abrir e não conseguir organizar nunca mais a bagunça que vai explodir lá de dentro bem em cima dela e de quem estiver perto. Já faz algum tempo que ela só sente medo.
Olhe para essa moça, olhe para essa moça e tente ajudar. Ajude-a porque já faz um tempo que seu sorriso tem sido desmascarado. Não será a primeira vez e nem a última que alguém a diz que ela está fazendo isso errado. Não será a primeira vez que alguém a manda se cuidar e pensar um pouco nela. Mas, será mesmo que é ela quem precisa se cuidar? Ou será que as pessoas que precisam cuidar dela? Ou será que as pessoas só precisam se cuidarem dela? Quem sabe, se as pessoas se cuidassem mais, ela não teria que cuidar de ninguém e agora ela seria inteira. E talvez, só talvez, ela não estivesse precisando de ajuda e quem sabe até saberia que caminho seguir.  


Vento no litoral - Renato Russo e Cássia Eller

Um dia me acostumo

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Eu não sei como. Eu não sei como, mas ontem eu deixei que você escorresse pelos meus dedos de vez. Esse é o meu dom. Esse é o meu maior dom. Eu simplesmente deixo as pessoas irem embora como se eu não as quisesse mais. Como se eu fosse ficar melhor sem elas, eu apenas nunca peço que fiquem. O meu silêncio e minha muralha para não me machucar, talvez seja o que mais me machuca.
Sabe, você diz que eu vou ficar bem e eu sei que vou. Mas, no fundo, no fundo eu não queria. Pois, eu sei que quando essa dor se esvair também, aí não terá mais nenhum pedaço de você em mim. E nossas vidas provavelmente tomarão rumos diferentes. E eu volto a ser apenas alguém “incrível, especial, única...” ou qualquer coisa dessa que novamente se conjuga no passado.

E o passado, amor, não importa o que tem de bonito. Será sempre um momento intocável, imutável e sem continuações.  


Lonely Day - System of a Down