"Nunca é alto o preço a pagar pelo privilegio de pertencer a si mesmo." Nietzsche

Um dia me acostumo

imagem via google
Eu não sei como. Eu não sei como, mas ontem eu deixei que você escorresse pelos meus dedos de vez. Esse é o meu dom. Esse é o meu maior dom. Eu simplesmente deixo as pessoas irem embora como se eu não as quisesse mais. Como se eu fosse ficar melhor sem elas, eu apenas nunca peço que fiquem. O meu silêncio e minha muralha para não me machucar, talvez seja o que mais me machuca.
Sabe, você diz que eu vou ficar bem e eu sei que vou. Mas, no fundo, no fundo eu não queria. Pois, eu sei que quando essa dor se esvair também, aí não terá mais nenhum pedaço de você em mim. E nossas vidas provavelmente tomarão rumos diferentes. E eu volto a ser apenas alguém “incrível, especial, única...” ou qualquer coisa dessa que novamente se conjuga no passado.

E o passado, amor, não importa o que tem de bonito. Será sempre um momento intocável, imutável e sem continuações.  


Lonely Day - System of a Down

2 comentários:

Occhi di bambino disse...

Eu não sei se é a imagem com essas asas negras, longas, e essa expressão física de abatimento no corpo da pessoa...
Não sei se é a profundamente penetrante verdade expressa nesse texto impecável (sim, nós todos temos 'dons' que pagaríamos tudo na vida para não ter)...
Não sei se é simplesmente o fato de que o final de ano nos deixa pensando na vida pelo lado das incertezas...
Mas eu fiquei lendo, relendo, relendo... E me perguntando como poderia ser... Como alguém em quem habita a perfeição de tantas maneiras usaria essas frases sobre si mesma?!
Eu sorri, sem ser de alegria, mexi os olhos de um lado para o outro, e pensei: um dia, não será a perfeição que aprenderá a segurar o que solta... mas será o que se solta que se proibirá de deixar-se soltar da perfeição...

Raphael Pontes disse...
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