Eu não sei como. Eu não sei como,
mas ontem eu deixei que você escorresse pelos meus dedos de vez. Esse é o meu dom. Esse
é o meu maior dom. Eu simplesmente deixo as pessoas irem embora como se eu não
as quisesse mais. Como se eu fosse ficar melhor sem elas, eu apenas nunca peço
que fiquem. O meu silêncio e minha muralha para não me machucar, talvez seja o
que mais me machuca.
Sabe, você diz que eu vou ficar
bem e eu sei que vou. Mas, no fundo, no fundo eu não queria. Pois, eu sei que
quando essa dor se esvair também, aí não terá mais nenhum pedaço de você em
mim. E nossas vidas provavelmente tomarão rumos diferentes. E eu volto a ser
apenas alguém “incrível, especial, única...” ou qualquer coisa dessa que
novamente se conjuga no passado.
E o passado, amor, não importa o
que tem de bonito. Será sempre um momento intocável, imutável e sem continuações.
Em breve um novo ano vai se
iniciar para mim. O que me faz torcer para que todo esse aperto no meu peito
seja apenas meu inferno astral. Embora eu saiba que podem existir outros motivos,
continuo torcendo pelo inferno astral, ainda é minha melhor opção. A vida não
tem me dado muitos beijos. Deus sabe minha luta. Foi um tombo atrás do outro,
até que me esborrachei com a cara no chão. As mentiras, as falsidades, a inveja
e os problemas estão a nossa volta e o único jeito é se vestir de fé, de
esperança e seguir o baile com o melhor dos sorrisos.
Eu venho dizendo para mim mesmo
quase todas as manhãs “isso vai passar” e tenho procurado acreditar no que eu
digo, mas as vezes é difícil respirar e, não é só por causa da asma. Eu sempre
senti demais as coisas e todo esse sentimento me sufoca. Não saber o que o
amanhã reserva para mim, me enlouquece agora muito mais que antes.
Principalmente porque não tem sido muitas coisas boas.
Quando será que vai vender na farmácia
remédio para angustia com uma bula indicando passo a passo o caminho que se
deve seguir? Ano após ano eu me lembro da canção que diz “eu quase esqueci que
o destino sempre me quis só....” e percebo que ainda se encaixa.
Estou repensando a vida,
filtrando as amizades, afastando toda negatividade de perto de mim. E Deus sabe
que sou de amar as pessoas pelo seu lado bom e ruim, mas agora eu não seria
capaz, estou igual a Xuxa cantando “boas notícias” pois é o único modo de
suportar até o final desse ciclo.
E nessa minha solitude em busca
de paz, uma mulher rompeu o silencio para me falar que tenho um grande poder chamado
resiliência: a capacidade de retomar à forma original depois de ter sido
submetido a deformações. E eu penso que Darwin poderia ter me usado para
explicar a seleção natural, pois claramente ainda existo por saber me adaptar,
mesmo que isso tudo não tenha parado de doer nem por um segundo.
Montanha russa. Sim, é uma montanha russa. Daquelas bem grande, a maior do mundo. É linda, é maravilhosa. Você olha e já quer o bilhete para participar. Você reza todos os dias para chegar a sua idade de poder ir lá, sozinho. Sua vida precisa daquela adrenalina, você precisa sentir no corpo a sensação de se aventurar. Todos avisam para ter cuidado, pode ser perigoso. Pessoas ficam mal, pessoas se machucam, mas você... Você é diferente de todas elas. Você sabe o que faz! Então você vai, compra o bilhete e se arrisca.
É euforia, é diversão, é paixão, é amor, mas também medo. É um misto de sensações: uma hora você está lá em cima, outra hora você está la embaixo. Tem horas que seu coração quase sai pela boca, outras em que a felicidade toma conta de você. Quando é bom... É muito bom, mas quando seu corpo já não aguenta mais, essa é a hora em que você pede para ser levado embora. É a hora que você pede para não ter chegado a essa idade e se arrepende desde o dia em que nasceu de ter comprado aquele bilhete.
Mas aí, a coisa desacelera, você tem alguns segundos para respirar bem fundo, se recompor. Mas, precisa ser rápido! O mundo não espera por ninguém e as pessoas que estão lá se esquecem de avisar que a montanha russa da vida nunca para de girar. Mesmo assim eu digo, não passe a vida sem comprar o seu bilhete. Sempre há um recomeço, todo fim é um inicio. Se não puder nadar contra a correnteza, deixe que ela lhe leve a algum lugar mais calmo...